Se houver disposio poltica para um ajuste autntico do setor pblico, ento a poltica econmica negociada por Fernando Henrique Cardoso ir consumar-se com a eliminao da superinflao.
Para que a economia volte a fazer sentido como algo real  preciso que, ao mesmo tempo, o governo seja capaz de cumprir suas funes sem endividar-se mais e as empresas sejam capazes tambm de cumprir as suas, sem precisar da inflao e da ciranda financeira.
Essa  a face mais claramente positiva do "processo": no apostar em medidas unilaterais como soluo duradoura de problemas econmicos.
Tanto  assim que, dez meses depois da sua posse, Fernando Henrique Cardoso deixa o ministrio e parte para a corrida presidencial sem poder exibir resultados animadores.
Sabe-se que toda reduo abrupta e violenta da inflao, a chamada "paulada" que o ministro Fernando Henrique afinal no deu, se desacompanhada de mudanas estruturais, tem vida curta.
A migrao definitiva para uma nova moeda depende ainda da confiana dos agentes na viabilidade de reformar o Estado, o que, por sua vez, est condicionado a mudanas na Constituo.
Para derrubar a inflao, e mant-la baixa, o governo dever gastar somente o que arrecada e a empresa tirar da eficincia produtiva o motor de seu desenvolvimento.
Em vez do ganho automtico e inevitvel com a intermediao da dvida pblica, cada banco dever recuperar sua sensibilidade para a economia real, para as atividades de crdito e de intermediao de capitais.
Os trabalhadores, nesse processo, foram os nicos a engolir a URV a seco e, agora, comeam a ser pagos nessa nova quase-moeda.
